As bactérias podem promover uma resistência chave aos antibióticos mesmo se nunca expostos a eles, revela uma nova descoberta.

Assim sendo, uma equipe de pesquisadores descobriu uma ‘superbactéria’ no fundo de uma caverna de 300 metros de profundidade, que é resistente a 70% dos antibióticos modernos. Porém, as bactérias permaneceram isoladas dos humanos, da sociedade e dos antibióticos por quatro milhões de anos.

Essas bactérias antigas são capazes de inativar completamente alguns dos medicamentos mais eficazes disponíveis pela medicina moderna e esse mecanismo interno defensivo da bactéria existe há milhões de anos. Isso tudo se desenvolveu durante anos de guerra química com outras bactérias em uma longa luta por nutrientes.

A descoberta, entretanto, nega a teoria de que as bactérias só desenvolvem resistência aos antibióticos quando diretamente expostos a eles: de acordo com a Dra. Hazel Barton, um microbiologista da Universidade de Akron, Ohio, que ajudou a encontrar a bactéria “A descoberta mudou nossa compreensão, porque isso significa que a resistência antibiótica não evoluiu na clínica através do nosso mecanismo, mas sim de maneira mais complicada”, disse ela à NPR.

Dra. Barton e sua equipe encontraram um “inseto super-resistente” dentro da caverna de Lechuguilla em Novo México. A caverna é um dos lugares mais inóspitos da Terra e é a caverna de pedra calcária a mais profunda nos EUA, com cerca de 1,632 pés em seu ponto mais baixo.

Tão profundo que nunca vê o sol, a água leva cerca de 10.000 anos para chegar ao fundo da superfície – e são essas condições incrivelmente difíceis que significam que a comida é escassa, levando a uma guerra brutal entre as colônias bacterianas que tentam roubar os preciosos recursos uns dos outros.

Através da brutal guerra química subterrânea entre colônias de bactérias, desenvolveu-se a resistência natural à maioria dos antibióticos de “último recurso”: “Cerca de 99,9 por cento de todos os antibióticos que usamos vêm de microorganismos, de bactérias e fungos”, revelou Barton. “Eles estão constantemente atirando esses mísseis químicos um para o outro, e, assim, se você vai viver nesse ambiente, você tem que ter uma boa defesa.”

No entanto, alguns antibióticos são feitos pelo homem: “As bactérias da caverna nunca foram expostas a esses antibióticos”, disse Barton.

A antiga bactéria, chamada Paenibacillus, não é patogênica, portanto não pode prejudicar os seres humanos. Os cientistas esperam que as bactérias os ajudem a desenvolver novas formas de combater a resistência.

[Daily Mail]

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